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Capa do livro Ter saudade era bom

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Ter saudade era bom

  • Páginas: 160
  • Formato: 14x21cm
  • ISBN: 9788583180425

Ter saudade era bom tem Bijuzinha e tem o cunhado do Zizi, tem Larzo e a adolescente feminista, esforçada em ser cientista, que atende pelo apelido de Copérnico. Tem personagens saídos de uma mágica de Cartola, outros da ditadura de 1964 e do acidente na mina San José em 2010, ao mesmo tempo, numa história mentida meio à Forrest Gump. Tem muita invenção escondida. Em jogos com diferentes narradores, temáticas e subgêneros literários, do conto epistolar à ficção científica, o livro convida o leitor a reconstruir tramas máximas e mínimas e, no desenrolar dos contos, encontrar a revelação da abismal intimidade humana por dentro das palavras.

Assista ao booktrailer.

Já ouvi Sérgio Faraco dizer que a grande dificuldade para um livreiro vender contos em vez de um romance é responder à quase inevitável pergunta do leitor: sobre o que é o livro? Acho que a Moema não vai sofrer com isso. Esqueça o amor, a famigerada condição humana ou a inesgotável busca pela identidade. Não são esses os temas. Sim, podem ser vistos aqui, mas, como tantos outros assuntos, parecem vir embalados por um duro manto já anunciado na capa: um estranho desejo de ter pelo que chorar. A vontade de ter algo para recordar, nostalgia da saudade. Parece que os personagens estão presos no presente. E não por hedonismo, carpe diem. Sequer por inércia. Mas por não ter para onde olhar. A vida fracassou “num cálculo onde o que estava errado não era a resposta, mas a própria proposta da equação” e eles parecem perceber ou sentir como ter saudade era bom. Como se ter saudade fosse lembrar que um dia houve algo que encaixou. Fez sentido. Ter saudade para, num espelho invertido, encontrar um fio de esperança no futuro. Ótimo exemplo é o conto fantástico (em vários sentidos) A reconstrução que, no meio do livro, ressoa a nostalgia da saudade para o passado e o futuro.
Mas a Moema autora não parece ter saudade. Cada conto é página virada, forma explorada. Difícil mapear sua voz ou estilo no livro. Narra no papel de homem e mulher, em diferentes tempos, registros variados. Mira sempre a próxima forma. Olha para trás apenas para lembrar o que não repetir.
Não sei se te ajudo, livreiro. Mas tente isso: é sobre nostalgia da saudade. Ou sobre não ter nenhuma saudade de formas já usadas.

Reginaldo Pujol Filho

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Sobre o autor

Moema Vilela nasceu em Campo Grande (MS). Escritora e jornalista, é doutoranda em Letras pela PUCRS. Graduada em Jornalismo (UFMS), mestre em Estudos de Linguagens – Linguística e Semiótica (UFMS) e em Escrita Criativa (PUCRS), trabalha com comunicação e artes desde 2000.

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