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Capa do livro Tarantata

Romance

Tarantata

  • Páginas: 256
  • Formato: 14x21 cm
  • ISBN: 9788583180197

Tarantismo. Envenenamento por picada de aranha? No extremo da península salentina, outra explicação não havia para aqueles surtos de violenta agitação. Uivos, saracoteios, correrias, gargalhadas — tudo impregnado de exuberante sensualidade. E a ninguém surpreendia que a temível tarântula vitimasse, desde sempre, apenas mulheres.

Salento, sul da Itália, década de 60. Nenhuma dúvida sombreia o diagnóstico: Giuseppina Palumbo sofre de tarantismo. Desde o dia em que soltou-se a correr e a dançar pela praia, todos se apiedaram da moça, pois era evidente que fora picada pela tarântula, fatalidade que manchava para sempre a honra de uma mulher. Tão direita e pura, Giuseppina passou a apresentar os sintomas descritos por várias gerações antes da sua: gritos, saracoteios, gargalhadas — tudo permeado por transbordante sensualidade. Para se livrar do veneno, restava recorrer ao ritual das tarantelas e invocar a força de São Paulo, protetor das tarantatas. Cura definitiva, porém, parecia não haver, ou talvez ela estivesse muito longe dali.

Guiados pela esperança, os Palumbo decidem emigrar para o Brasil, rumo à cidade que tem o nome do santo. Na periferia paulistana, terão por vizinho Marçal Quintalusa, um jovem professor de piano que logo cairá fascinado pela escuridão nos olhos da italianinha. Intrigado com o mal que acomete Giuseppina, Marçal se entregará a uma ferrenha busca por compreendê-lo e acabará por descobrir mais do que esperava, em uma saga que fala do heroísmo de não renunciar à própria essência, ainda que seja decisão tomada na neblina do inconsciente.

Depois de sua estreia com Sanga Menor, finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, Cíntia Lacroix reafirma, em Tarantata, a solidez de seu universo ficcional, um universo plasmado pelo poder da linguagem e dos símbolos. Com uma escrita ao mesmo tempo exuberante e precisa, Cíntia trabalha as palavras em suas miudezas, com o cuidado de um ourives, para compor um amplo cenário sobre o qual transitam personagens e conflitos que possuem a dimensão altissonante das lendas. Assim, na arquitetura de sua prosa de tons realistas, infiltra-se um veio do fantástico ou, antes, do que há de imponderável no mundo, influxo que, sob os olhos de cada leitor, pode se manter interdito, como são os verdadeiros segredos que habitam a experiência humana, ou mesmo fender a narrativa de cima a baixo para ressignificá-la.

Rafael Bán Jacobsen

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Sobre o autor

Cíntia Lacroix nasceu em Porto Alegre, em 1969. Seu primeiro romance, Sanga Menor (Dublinense, 2009) foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura 2010 como Melhor Livro do Ano — Autor Estreante. Em 2014, lançou Tarantata, sua segunda narrativa longa.

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