Contos
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Com raro talento, Valmor Bordin se apropria das experiências e situações limítrofes observadas no universo médico e faz disso matéria para uma literatura densa e original. Em sua obra, a doença se alastra pelos interstícios dos indivíduos e da própria sociedade. É um cenário composto de pesadelos, angústia e luto, em que resta o quase-humano, o quase-nada.
Durante quatro anos, com uma persistência de camponês – que sabe que, antes de colher, é preciso plantar –, Valmor Bordin frequentou as minhas oficinas literárias. Fui particularmente exigente com ele, pois sei, como dizia Anton Makarenko, que exigir o máximo de uma pessoa é respeitá-la ao máximo.
O resultado está aqui: contos cheios de vida, ainda cheirando a húmus, histórias dolorosamente humanas, que misturam lágrimas, desejos e sonhos. Sem isso, sem esse telurismo, sem essa ternura e compaixão pela essência dos seres e das coisas, a literatura se torna um mero passatempo. Para Valmor Bordin, ao contrário, literatura é sangue, é experiência transformada e transformadora, é alegria de ser e de viver.
Assim como o camponês retira do solo o sustento do mundo, Bordin retira da ficção o sustento do espírito. Ler histórias deste naipe e desta qualidade amplia a nossa compreensão da humanidade.
Charles Kiefer
Valmor Bordin nasceu entre Bela Vista e Barão Hirsch, povoados de pequenos agricultores de origem italiana e judaica, pertencentes ao município de Jacutinga (RS). Cursou medicina na UPF e, hoje, é psiquiatra em Passo Fundo. É autor de Poemas famintos (2011) e O quase-nada (2010), ambos publicados pela Dublinense, e Voo rumo às asas – a arte e o vínculo como remédio (2009). Venceu concursos de poesia e de contos e participou de diversas antologias, como 30 contos imperdíveis e Inventário das delicadezas.
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